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Fado do Tarata

por João Távora, em 02.03.17

 

Fado do Tarata
Artur Portella
Revista Ás de Espadas
1927

 Pela soprano Adelina Fernandes

 

Hoje em dia ir pra soldado,
Já não assusta ninguém,
Passa a noite estiraçado,
Com uma cachopa ao lado,
Na estrada de Sacavém.

E nos campos da Amadora,
Sem pensar na revolução,
Quando passa uma senhora,
Bate-se a gente como um leão,

E nem um tiroliro
Dão as tropas,
Que o Tarata só tem lata
Pra dar tiros nas cachopas,
Mas se esta guerra se mais tempo dura,
Mais parece c’oa ditadura

Uma dama cara unhaca
Deu-me um beijo – ele é bem meu
E ao galucho é que se atraca,
Porque em suma a carne é fraca,
E um homem não é de pau,

E ao chegar perto de Belas,
Eu nem qu’ria olhar para trás,
Que eram velhas e donzelas,
Tudo a atirar-se cá ao rapaz.

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publicado às 20:20

Corina, Corina...

por João Távora, em 20.09.16


Nascida em 1897 em Silves, Corina Freire foi uma cantora lírica soprano e actriz portuguesa. Foi a primeira portuguesa a trabalhar no Olympia de Paris e a cantar para o Príncipe de Gales, depois duque de Windsor. Aqui o tema com que fez a sua primeira incursão no teatro de revista aos 30 anos.

Corina.jpg

 Fonte: Wikipedia

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publicado às 16:35

O Velho Fado da Severa

por João Távora, em 03.09.16


É substancial a melhoria qualitativa das performances artísticas nas gravações portuguesas a partir do segundo quartel do século XX. Isso é bem patente nesta gravação do “Velho Fado da Severa” cantado por Dina Tereza para “A Severa”, o primeiro filme sonoro português realizado por Leitão de Barros em 1929. Repare-se na subtileza dos arpejos e do dedilhar de guitarras no inédito longo solo que abre o tema - pormenor outrora difícil de captar pelo registo sonoro mecânico. Definitivamente a qualidade que a gravação eléctrica concede à indústria fonográfica mais reputação – reconhecimento social - contribuindo para atrair a si mais e melhores executantes. Para tanto foi decisivo o advento da telefonia e do cinema sonoro que estão na génese do star system nacional que estabelece o protagonismo dos intérpretes como motor da indústria fonográfica.

Dina Tereza.jpg

 

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publicado às 16:34

Beatriz Costa sempre!

por João Távora, em 22.08.16

No tempo em que fui responsável pelas Relações Públicas do Hotel Tivoli envolvi-me em vários projectos ligados à vida, obre e biografia da acrtiz Beatriz Costa, mulher bela e desempoeirada que, sem que eu tenha conhecido pessoalmente, me conquistou e seduziu profundamente. Também por isso fico muito contente sempre que consigo juntar à minha colecção um disco seu. Assim, é com particular satisfação que aqui partilho "Dona Chica e Senhor Pires", tema cantado em dueto com o actor com Álvaro Pereira que, estreado em 1929 na Revista "Pó de Maio", granjeou uma popularidade que predurou por décadas.  

beatriz-costa-cartaz-d.chica_.jpg

D. Chica: Só me dizia insolências / e a bater não era peco…
Sr. Pires: E hoje, vejam lá bòscências, sou fadista papo-seco!
D. Chica: Já só usa roupa fina / e até seda, quando calha!
Sr. Pires: Camisas de popelina / e as cirolhas são de malha...
D. Chica: Desprezou o canivete, / está mais manso que uma pomba…
Sr. Pires: Rapo a fuça c’a gillette / e ponho cremes na tromba.
D. Chica: Andava sempre co’a malta, / encharcado em água-pé…
Sr. Pires: Pois agora só me falta / ir tomar chá à Garrett!

Refrão
D. Chica: Aconselho-te a que tires o chapéu / quando na rua me vires!
Sr. Pires: Quem? Eu? Oiça: / Isto agora é outra loiça – Dona Chica!…
D. Chica: Sr. Pires!

 

 

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publicado às 11:10

Samaritana por Edmundo Bettencourt

por João Távora, em 12.08.16

Aqui reproduzimos Samaritana (disco Columbia n 8121), um irreverente fado-canção interpretado por Edmundo Bettencourt em 1928. Este tema que efabula um enamoramento de Jesus Cristo pela Samaritana de Sicar (João 4:5–29) foi composto depois de 1910 por Álvaro Cabral nascido em Vila Nova de Gaia em 1865. Além de compositor e letrista, Álvaro Cabral era um boémio muito espirituoso e um bom e grande conversador que morreu em 1918 no Porto. Não podendo ser considerado um Fado de Coimbra, também não é um fado de Lisboa com melodia padronizada, facto que ajudará a explicar grande parte do sucesso que veio a conquistar em Coimbra. Acontece que, a partir de 1928, ano em que este fado foi gravado por Edmundo Bettencourt, a Academia de Coimbra apropriou-se dele e muitos cantores de Coimbra o têm cantado e gravado, tendo-se tornado num dos Fados de Coimbra mais emblemáticos.

Edmundo Bettencourt (Funchal, 1889 — Lisboa, 1973) foi um cantor e poeta Português conhecido por interpretar Fado de Coimbra e pelo seu papel determinante na introdução de temas populares neste género musical. Formado em direito, foi signatário das listas do MUD tendo feito parte do grupo fundador da revista Presença. Notabilizou-se pela composição musical "Saudades de Coimbra" a qual é ainda hoje uma referência da música portuguesa universitária.

Edmundo de Bettencourt.jpg

 

 

Fontes / adaptação de textos: Octávio Sérgio em Guitarra de Coimbra (Parte I) e Wikipédia

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publicado às 18:12

Justina Magalhães

por João Távora, em 11.08.16

Tema "Beijos" da autoria de Vasco Macedo - para a revista "Carapinhada" exibida em 1927. 

Justina Magalhães actriz do teatro Avenida nasceu em 1897 cursou no Conservatório de Lisboa onde foi discípula do Professor António Pinheiro que sobre ela aqui descorre um rasgado elogio.  

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publicado às 16:31

Coleccionador de sons (79)

por João Távora, em 19.04.16

Comédia ao caciquismo em Portugal gravada em 1906. Como bem sabemos a coisa piorou substancialmente depois de 1910.

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publicado às 17:51

Fado Robles

por João Távora, em 24.03.16

Curioso é este disco, com uma interpretação anónima de guitarra solo do célebre “Fado Robles” no lado A - melodia composta em 1879-1880 pelo guitarrista-fadista e Sargento de Cavalaria J. R. Robles – e no lado B variações sobre o Fado Corrido, “Fado Corrido Maior”. Editado pela pouco conhecida marca Jumbo (ligada à editora alemã Odeon) que foi descontinuada em 1912 é de presumir que a interpretação das duas peças seja da autoria de Luís Petroline em gravações de 1910, segundo uma tese de Pedro Jorge, estudioso dos primórdios do Fado com quem tive o privilégio de trocar correspondência.

Este e muitas outras gravações portuguesas antigas podem ser escutadas aqui

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publicado às 18:02

Coleccionador de sons (78)

por João Távora, em 12.08.15

Vale a pena ouvir este disco Homokrod, uma deliciosa valsa "toque de sinos com accompanhamento de orchestra" gravado em Portugal em Junho de 1908.

 

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publicado às 14:05

Coleccionador de sons (77)

por João Távora, em 12.08.15

Fado de Avelino Teixeira, tenor com com expressivo repertório fonográfico registado na primeira década do século XX de biografia desconhecida  gravado entre 1908 e 1911 altura em que vigorou o seu vinculo à editora Odeon.

 

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publicado às 13:20

Fado das Educandas (1921)

por João Távora, em 03.07.15

Medina de Sousa e Côro - Da revista "O Fado" de Filipe Duarte.

 

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publicado às 11:37

Repsodia Transmontana - 1908

por João Távora, em 09.05.15

>

 Tocado pela Guarda Municipal de Lisboa

Disque Pour Gramophone 1908
Numero de catálogo 360134

 

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publicado às 21:16

Canção da Cega - Medina de Sousa 1921

por João Távora, em 09.05.15

 

Sou ceguinha de nascença,

Isto assim nem é viver!

Minha tristeza é imensa,

Quem me dera a mim morrer!

 

Vivo em trevas sepultada

Sem fazer mal a ninguém;

Sou ceguinho de nascença,

Não conheço pai, nem mãe.

 

Canção da Cega -  Medina de Sousa 1921

Da revista "O Fado"
Por F. Duarte
Soprano and Chorus with Orchestra in portuguese
Victor Talking Machine 1921
Made in USA

 

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publicado às 21:12

A Menina dos Olhos - Isabel Costa 1910

por João Távora, em 05.05.15

 Consta que a Revista Zig-Zag estava em cartaz em Outubro de 1910.

 

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publicado às 18:39

Leré Leré Lé - Amália Rodrigues (disco raro 1952)

por João Távora, em 27.03.15

Amália fazia o que queria com aquela textura de voz... em qualquer língua.

 

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publicado às 19:50



A montante deste caprichoso prazer de coleccionar os sons antigos e de saborear sofisticados sistemas de reprodução sonora está uma enorme paixão. Neste blog que afinal é uma contradição de termos – uma plataforma de partilha digital em defesa do suporte analógico - presto tributo a essa que considero a mais divinal forma de expressão humana: a música.


O Autor

João Lancastre e Távora nasceu em Lisboa, que adora. Exilado no Estoril, alienado com política e com os media, é sportinguista de sofrer, monárquico, católico e conservador. No resto é um vencedor: casado, pai de filhos e enteados, é empresário na área da Comunicação e do Marketing. Participando em diversos projectos de intervenção cívica, é dirigente associativo e colabora em vários blogues e projectos comunicação política e cultural.

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